Perimenopausa: como é feito o diagnóstico?

Perimenopausa: como é feito o diagnóstico?

Com a conscientização cada vez maior sobre a importância da fase de transição que a mulher atravessa até chegar à menopausa, muitas pacientes têm me perguntado: como saber se já estou na perimenopausa? Essa dúvida é muito comum no consultório, e a resposta envolve entender os sinais que o corpo dá nesse período.

A perimenopausa é a fase que antecede a menopausa — os anos anteriores à parada total da menstruação. Algumas mulheres terão sintomas mais intensos, outras quase nada perceberão. E é justamente pelos sintomas que fazemos o diagnóstico: a perimenopausa é um diagnóstico clínico, como explico neste artigo.

Dra. Renata Campos

Dra. Renata Campos

Especialista em Endocrinologia e Metabologia

O que é a perimenopausa?

A menopausa é o momento em que ocorre a parada total da menstruação, por interrupção definitiva da produção hormonal pelos ovários. Já a perimenopausa é o período de transição que vem antes: os ovários ainda funcionam, mas de forma oscilante, com variações no estímulo da produção hormonal e na ovulação.

Como não há uma parada total da produção dos hormônios, os sintomas são intermitentes: a mulher pode sentir-se mal em um mês e melhorar no mês seguinte, simplesmente porque os hormônios estão diferentes do que estavam antes. Por isso, é preciso cuidado com associações equivocadas — muitas vezes atribuímos a melhora a alguma intervenção que fizemos, quando na verdade foi apenas a oscilação natural daquele mês.

Sintomas que sugerem a chegada da perimenopausa

Quando a mulher começa a apresentar sintomas sugestivos de queda do estrogênio, isso pode indicar que ela está entrando nessa fase. Os principais são:

  • Despertares noturnos frequentes: acordar várias vezes durante a noite, prejudicando a qualidade do sono;
  • Ondas de calor: sensação súbita de calor intenso, principalmente de madrugada, com ou sem suor associado;
  • Mudanças de humor: maior irritabilidade ou instabilidade emocional, sem outra causa aparente;
  • Névoa mental: as palavras "fogem" com mais facilidade, além de episódios de esquecimento no dia a dia.
Mulher na perimenopausa se abanando durante uma onda de calor
Mulher com insônia e despertares noturnos na perimenopausa

As mudanças no ciclo menstrual

Outro sinal muito frequente da perimenopausa são as oscilações no ciclo menstrual, que podem aparecer de diferentes formas:

  • No fluxo: às vezes a menstruação vem em maior quantidade, às vezes em menor;
  • Na duração: o sangramento pode durar mais ou menos dias do que o habitual;
  • No intervalo entre os ciclos: em vez do ciclo regular de cerca de 28 dias, os intervalos ficam mais curtos ou mais longos;
  • Pausas menstruais: ficar mais de um mês sem menstruar, algo que se torna mais comum conforme a menopausa se aproxima.

Tudo isso, em conjunto, pode sugerir que a mulher está entrando nesse período de transição.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico da perimenopausa é principalmente clínico: baseia-se nos sintomas que a mulher apresenta, associados a uma faixa etária sugestiva. Sabemos que a menopausa ocorre, em média, por volta dos 50 anos — a maior parte das mulheres entre 45 e 55 anos — e algumas são um pouco mais precoces, entre os 40 e 45 anos.

Quando a menstruação para antes dos 40 anos, estamos diante de outro contexto, chamado insuficiência ovariana prematura, que exige uma investigação diferente.

Mesmo com o quadro típico, o médico pode precisar descartar outras causas que provocam sintomas semelhantes: outras alterações hormonais, questões psicológicas e demais fatores do contexto de cada mulher. Uma boa avaliação considera tudo isso para que o diagnóstico — e, consequentemente, o tratamento — seja correto.

E o tratamento, como funciona?

A necessidade de tratamento depende principalmente dos sintomas que cada mulher apresenta. Não existe fórmula única: a intervenção é individualizada.

  • Progesterona: muitas vezes é útil para ajudar a regular o ciclo menstrual nessa fase;
  • Estrogênio: quando há sintomas mais sugestivos de deficiência estrogênica, pode ser associado — desde que muito bem avaliado. É preciso saber se há indicação, se não há contraindicação e como estão os exames, pois algumas situações aumentam o risco de efeitos colaterais, como alterações uterinas que podem modificar o padrão de sangramento;
  • Pílulas anticoncepcionais: nessa fase a mulher ainda pode engravidar. Por isso, uma formulação anticoncepcional com progesterona pode ser uma opção, se esse for o desejo da paciente.

Os hormônios indicados oficialmente pelas principais sociedades médicas de endocrinologia e ginecologia do mundo — não só do Brasil — são o estradiol e a progesterona. Outros hormônios não são utilizados para esse fim.

Fique atenta: o tratamento da perimenopausa normalmente não é caro. Se você recebeu uma proposta de tratamento muito caro ou ficou em dúvida sobre a conduta, vale buscar uma segunda opinião com outro profissional. O acompanhamento com ginecologista e endocrinologista é o caminho para a melhor avaliação possível nesse período.

Conclusão

O diagnóstico da perimenopausa é clínico: são os sintomas — ondas de calor, despertares noturnos, mudanças de humor, névoa mental e oscilações no ciclo menstrual — associados à faixa etária que indicam a entrada nessa fase de transição. Como os hormônios oscilam, os sintomas podem ir e voltar, e isso faz parte do quadro.

Se você se identificou com esses sinais, procure um bom médico. Uma avaliação cuidadosa permite descartar outras causas, confirmar o diagnóstico e definir, de forma individualizada, se e como tratar — sempre com segurança e baseado na ciência. Espero ter ajudado e até a próxima!

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Agende uma consulta para uma avaliação individualizada.

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