Menopausa: por que não consigo mais emagrecer?
Uma queixa que escuto com muita frequência no consultório é: "Doutora, estou entrando na menopausa, faço dieta e exercícios como sempre fiz, e mesmo assim não consigo mais emagrecer — antes sempre dava certo. O que está acontecendo comigo?"
Se você se identificou, não está sozinha: entre a perimenopausa e a menopausa, geralmente depois dos 40 anos, a queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura abdominal, o sono piora, a massa muscular diminui e pequenos deslizes alimentares passam despercebidos — juntos, esses fatores tornam o emagrecimento mais difícil e exigem uma estratégia diferente da que funcionava antes. Neste artigo, explico o que muda nessa fase e o que pode ser feito para retomar os resultados.
Por que meu corpo não emagrece mais do jeito que emagrecia há 10 anos?
O corpo muda de demanda energética ao longo da vida: o gasto calórico que você tinha há 10 anos não é o mesmo de hoje, então a mesma dieta e o mesmo treino que funcionavam antes podem não bastar mais — a estratégia precisa se atualizar junto com o corpo.
Além disso, a rotina da mulher nessa fase costuma acumular fatores que atrapalham o emagrecimento:
- Períodos sem atividade física: muitas mulheres passaram por fases com tantas atribuições que não conseguiram encaixar o exercício na rotina — e isso cobra um preço no metabolismo;
- Privação de sono: é comum, hoje, ter filhos pequenos por volta dos 40 anos. Crianças que adoecem ou não dormem bem fazem a mãe picar o sono com frequência, somando-se às alterações de sono da própria perimenopausa — para entender melhor essa fase, veja como é feito o diagnóstico da perimenopausa;
- Cansaço e compensação alimentar: dormir mal gera muito cansaço, muda o metabolismo e favorece uma compensação alimentar que muitas vezes nem é percebida;
- Treinos com menos intensidade: sem a mesma força e disposição, às vezes você até faz a atividade física, mas não consegue o mesmo empenho de antes.
Que deslizes alimentares no dia a dia atrapalham o emagrecimento na menopausa?
Pequenos aumentos no que comemos passam despercebidos — um docinho a mais aqui, um salgadinho ali — e esses extras somados podem ser exatamente o que trava a balança. Some a isso um período em que você perdeu massa muscular e o ritmo dos treinos: seu metabolismo fica diferente, gasta menos energia, e repetir a mesma rotina de antes já não traz o mesmo resultado.
Há também outra situação comum: você passou por um período conturbado, não conseguiu manter tudo certinho e ganhou peso. Então decide voltar a fazer o que sempre fez, esperando o mesmo resultado. Acontece que, nesse período parado, você perdeu massa muscular e o ritmo dos treinos, e agora talvez seja preciso fazer algo melhor do que antes para obter o mesmo resultado.
Por que a queda do estrogênio causa gordura abdominal na menopausa?
Na perimenopausa e na menopausa, o corpo passa a acumular mais gordura na região da barriga por causa da redução do estrogênio — e não da testosterona, como muita gente pensa. Como endocrinologista (sou a Dra. Renata Gonçalves Campos, CRM 135847-SP), explico que essa mudança de contorno corporal é hormonal, não falta de esforço, e costuma mexer bastante com a autoestima.
Essa mudança costuma ser desconfortável: a mulher percebe que o corpo não está mais com o contorno de antes, que a barriguinha aparece com muita facilidade e não sai. Isso mexe com a autoestima e pode gerar desânimo — justamente numa fase em que executar bem a dieta e os exercícios exige ainda mais motivação.
O envelhecimento por si só também pesa: ficamos naturalmente mais cansadas com o passar dos anos. Vale dizer que a queda do metabolismo é muito lenta — muitas pessoas acham que ele despenca rapidamente, mas não é assim. O que acelera essa perda é o sedentarismo: quando você fica parada por algum motivo, perde massa muscular, e a resposta do corpo já não é a mesma. Para entender melhor essa fase da vida da mulher de forma mais ampla, veja também informações que toda mulher precisa conhecer sobre a menopausa.
A reposição hormonal ajuda a emagrecer na menopausa?
A reposição hormonal, quando há indicação, não emagrece sozinha, mas melhora a qualidade de vida — você dorme melhor, tem menos calores e consegue uma resposta metabólica melhor conforme segue a dieta. Combinada com mudança de hábitos, ela favorece o resultado do tratamento, inclusive pelo lado emocional; a indicação é sempre individual, feita por endocrinologista.
O endocrinologista também avalia se você precisa — e se deseja — usar alguma medicação para auxiliar no emagrecimento. Quando há real necessidade, ela pode favorecer o processo — vale entender também por que um remédio para emagrecer pode não funcionar do mesmo jeito para todo mundo. Claro que nem todo mundo consegue contar com toda essa equipe, mas, se você tiver a possibilidade, vale muito a pena.
Quando procurar acompanhamento profissional para emagrecer na menopausa?
Vale buscar acompanhamento profissional quando dieta e exercício por conta própria pararam de funcionar: nutricionista para ajustar a alimentação à sua realidade atual, educador físico para calibrar a intensidade do treino e endocrinologista para avaliar se há alteração hormonal e se cabe reposição hormonal ou medicação para auxiliar o emagrecimento.
- Nutricionista: ajusta a alimentação à sua realidade atual, e não à de 10 anos atrás;
- Educador físico: orienta os exercícios com a intensidade adequada — especialmente se você já tem alguma lesão e precisa de adaptações;
- Endocrinologista: avalia se existe alguma outra alteração hormonal e se há indicação de reposição hormonal ou de medicação para auxiliar o emagrecimento.
Conclusão
Emagrecer depois dos 40 é mais difícil porque muita coisa muda ao mesmo tempo: a queda do estrogênio favorece a gordura abdominal, o sono piora, o cansaço aumenta, a massa muscular diminui e pequenos deslizes alimentares passam despercebidos. Não é falta de força de vontade — é um conjunto de fatores que exige uma estratégia diferente da que funcionava no passado.
Se você está nessa fase e sente que a balança não responde mais, procure avaliação médica. Com um acompanhamento individualizado — e, quando indicado, reposição hormonal ou medicação — é possível retomar os resultados com saúde e segurança. Espero ter ajudado e até a próxima!
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
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